29/04/2011

contos de fadas

tem tanto tempo que eu não ouço uma história para dormir.. quase nem me lembro delas na íntegra...

o que fica são as ditas morais das histórias, mas confesso que as morais das quais me lembro não estão mais vigentes.

príncipes, heróis, salvadores. cadê todos eles? onde foram parar? onde se esconderam? se esconderam? alguma vez houve algum?

conversando com minha irmã por telefone chegamos mais uma vez à mesma conclusão: eles não existem.

o fardo dos grandes resgates e das grandes salvações passou para as mãos dos plebeus que tem que seguir com suas vidas em qualquer tempo, nos tempos de paz e de adversidades. e mais, além desse fardo ter passado aos ombros dos simples mortais acabou nas mãos das mulheres. sim, não adianta negar e discutir. somos nós que carregamos o peso do mundo e das decisões que o afetam em nossas mãos delicadas, mas fortes.

dia desses aconteceu o casamento real na inglaterra. o príncipe william (ou teria sido o harry?) casou-se com um plebéia. sorte ou azar dela. whatever... o mundo parou pra ver o conto de fadas se tornando real e dessa forma alimentando na cabeça de milhares de alienadas que isso pode acontecer com qualquer uma delas... isso é do tempo da minha mãe. acordemos todas. isso não existe!!! a menina foi previamente escolhida e aprovada e agora vai ter que provar à que veio. ela não vai ser a cinderela que foi resgatada da torre e viver feliz para sempre. cada passo que der será vigiado. cada palavra que proferir será julgada e todas as suas ações serão sentenciadas. e mais uma vez o peso do mundo recai nas costas de uma mulher.

crescemos aprendendo que um homem maravilhoso entraria em nossa vida. ele seria de boa família, educado, trabalhador, conquistaria seu espaço no mundo e a todos com seu charme e maneiras. ele teria a pele linda e os cabelos sedosos (william, o príncipe já é calvo, portanto, está fora). viria montado num belo cavalo e suas roupas estariam sempre alinhadas. falaria pouco, mas quando falasse encantaria a todos contando suas aventuras overseas e suas vitórias e benfeitorias. nada nos foi dito sobre sua sexualidade porque o gozo era tabu. e é aí que reside o problema. esse homem já apareceu na minha vida, ele é fantástico. tem todos esses atributos e muitos mais. eu o amo e o cultivo em minha vida com verdadeira adoração, e ele é meu melhor amigo, e é gay.

pois é. os príncipes encantados são meus melhores amigos. eles são lindos, maravilhosos e gays. e eu adoooooooro!!!!

então o conto de fadas caiu. inclusive porque eles curtem todos aqueles pozinhos coloridos e brilhantes das fadinhas e eu detesto. essa onda de vestidão também não está com nada, pelo menos para o meu gosto, by the way só uso preto. as jóias e tiaras eu aboli da minha vida, considerando a escravidão, crueldade e desumanidade com que os 'exploradores' de ouro e pedras e prata são tratados.

adoro minhas amigas e meus amigos. adoro sair para almoçar com pessoas diferentes todos os dias, falar coisas banais e superficiais num dia, em outro discutir a política mundial, mais adiante confessar meus 'pecados' ou ouvir uma confissão, elocubrar sobre teorias conspiratórias, rezar, discutir religião, passear numa exposição de fotografias e em outra sobre a cultura islãmica, rir ou chorar num teatro, rir de uma letra de música, confessar meus anseios mais profundos...

prefiro dirigir a ser carona, uso a desculpa da cinetose e funciona tendo em vista meu leve grau de sociopatia. isso tambémme ajuda e desvendar os segredos das tramas de filmes e séries, o que me torna uma ameaça aos colegas que assistem filmes comigo, afinal eu não soo um spoiler alert, vou logo falando o que vai acontecer... não decoro letras de música, simplesmente as aprendo, como se fosse natural saber tantas palavras com ou sem sentido unidas por uma melodia...


e ponche??? for god sake... prefiro um bourbon ou vodka. fumo, e fumo muito se eu tiver. gosto de ler. gosto de escrever. gosto de dar uma (duas, três... dez) com um 'toninho da construção' que me visita once in a while.... além dele, tenho um amigo imaginário, o "Paulo Bassuelo", com quem gosto de, à noite, sentar na grama e olhar o céu, pensar bobagem, liberar meus pensamentos e sonhos...

na verdade não sei se foi o conto de fada que caiu ou nós que evoluímos tanto que não cabemos mais dentro dele.

o fato é que amo meus muitos príncipes encantados que estão na minha vida.
amo meus amigos, meus pares, meus parceiros.
amo minha imaginação, livre e profícua.
amo sentir dor e alegria.
amo ser só uma mortal cheia de falhas mas sem limites...

e se alguém precisar de uma amazona (1.0 por enquanto) para resgatar algum donzelo em perigo, não me chame que eu tenho mais o que fazer....

aliás, se quiser, pode vir fazer isso comigo....

23/03/2011

alívio

a sensação de alívio é uma coisa filha da puta, porque nunca vem quando você precisa e aparece justo quando você não esperava...

estou aliviadíssima por ter terminado uma relação que não existia, bem quando achei que ia ficar chateada porque queria ter uma resposta.

meu monstrinho verde deu uma folga depois que mandei quem eu queria tomar bem no meio do olho do cu... claro que com muita classe e alguma soberba (por saber que a idiotice humana é infinita!) uia, quase ouvi uma gargalhada à Odete Roitman.... ou seja, com classe...

o bom da idade é que o alívio chega mais rápido porque não se tem muito tempo a perder pensando nas coisas... ou se alivia ou não.. hoje estou aliviada...

não sei se dura, mas hoje não estou preocupada...

10/02/2011

nossa jaulas

vivemos cativos da nossa própria mente.
nem sempre nos damos conta e quando o fazemos nem sempre é agradável.

jaulas, cages, gates. prisions.
we build them up to bare life.

a vida é absurda demais para se viver sua realidade plenamente.
inventamos cenários e vivemos à sua sombra.

cada um tem o cenário que melhor lhe cabe viver.
cada um escolhe a própria máscara que usa.
alguns sabem de suas máscaras, mão não do cenário.
alguns não sabem de nada.

tenho cuidado com aqueles que se dizem livre ou cativos.
tenho cuidado com todos.
abomino aqueles que não tem consciência de nada disso.

uma jaula pode ser espaçosa o suficiente para que se corra por ela e pense-se estar na savana. é possível sentir o sol queimando sua pele enquanto em círculos corre achando que avança, mas ao fim dessa descarga de adrenalina da corrida livre, retorna-se exatamente ao mesmo lugar.

uma coleira pode parecer apertada e curta o suficiente para que em segurança não se afaste, mas ao fim de uma caminhada de dias descobrir-se em um lugar completamente diferente.

vivemos como queremos, mas nunca nos livramos por completo das vendas que nos cerram os olhos, e que ao final permitem que vivamos plenamente sem sustos ou surpresas.

vivemos como queremos, mas nunca nos livramos das vendas.

deixar esse véus caírem significa entrar num mundo novo e sem fronteiras, que é desconfortável e assustador. significa não saber de mais nada e hoje eu não conheço ninguém que viva assim.

os visionários, os vanguardistas e os lunáticos. esses conseguiram ver além de suas vendas, é verdade. mas não conheço nenhum. nem conhecerei. porque esses aparecem somente de quando em quando na terra para mostrar um vislumbre da vida plena, e ainda assim são estigmatizados de loucos ou dementes em suas épocas e só são reconhecidos após sua morte, porque afinal, são mortais...

levará milênios para que as vendas caiam, para que o ser humano saiba o que está fazendo aqui, nesse planeta, nessa terra... e quando isso acontecer, se for para acontecer, pode ser que a terra nem esteja mais aqui....

portanto, viveremos sempre aprisionados por nossas próprias vendas da ignorância e vviveremos felizes pensando que somos o que queremos ser.

11/01/2011

tanta coisa... tanta bobagem

fim de ano infernal. brigas. discussões. conflito tardio de gerações. aborrecimentos. dores. lástimas. mágoas.

tanta coisa e tanta bobagem.

tanta coisa e nada de interessante.

tanta dor e desgaste e nada de interessante.

o papo reto é: me ligue só quando quiser, quando realmente quiser, quando tiver realmente vontade de falar comigo. fora isso, pode me esquecer. pode deixar para lá e me dar o direito de não perder meu precioso tempo. não me faça perder meu tempo. me dê esse direito.

fora isso, que apesar de inócuo, incomoda, outras coisas são absolutamente especiais nesse começo de ano.

vou pra chapada dos veadeiros com samara (segundo minha chefe). a única diferença com a verdadeira samara é que essa não saiu do poço. não sei se levo a coisa para esse lado, mas o que me perturba é que não papo com essa samara e teria com a verdadeira. se teria.... pelo menos no carro eu poderia ouvir nine inch nails e gritar a vontade "i will make u hurt" que ela entenderia... com a minha própria samara eu tenho que escolher um repertório mais moderado, quase gospel.

outra coisa é a tânia. a tânia, minha vizinha na minha cidade natal é algo sui generis. e não é que tenho uma tânia aqui também??? pois é. hoje me vi gritando na sacada a soletração do meu nome enquanto dava à ela meu login no facebook. só peço que deus me livre de ser a tânia do futuro.... e essa, pelo menos tem cachorro e não gato. mas o foda é que a de lá tem cachorro agora... due parole meeeeesmo... vou virar a tânia. aqui vai as due parole: 1) FU 2) DEU.

outra coisa é que estou com meu saco absolutamente cheio é apenas o início do ano.

due parole pra isso também.

24/12/2010

bool.

“muito bem, eis você por aqui. bom lhe ver, já que há tanto tempo não me procura nem me fuça mais.”

preocupar-se desnecessário é, jovem aprendiz, andar muito não precisará, mas todo ensinamento aqui não encontrará, então da cadeira levantar-se deve e procurar pelos sinais que para você se revelarão precisa.

Sério, adorei ficar pensando em te escrever isso! adoooooro o verdinho, você sabe. Mas mãos à obra, sua primeira pista:

“Perder é muito ruim e perdemos uma jóia muito preciosa esse ano. Há sabedoria nos filmes e nos livros. Preparamos-nos, sem saber, com um filme, poderíamos também ter ido à fonte!”